A vida e a compulsão alimentar

Pois é. Em todos os blogs que já tive na minha vida, sempre chega uma hora que eu preciso falar nesse assunto. Ou porque li algo relacionado, ou porque os pensamentos na minha cabeça irão me matar.

Mas em nenhuma das minhas conversas eu fui verdadeiramente sincera com meus leitores, e resolvi me expôr como forma de desabafar mesmo.

Olá, meu nome é Maíra e sou uma compulsiva alimentar. [Qualquer semelhança com A.A. não é coincidência.]

Eu simplesmente, em alguns momentos da vida, não consigo parar de comer. Qualquer coisa que seja. Quando percebi isso? No dia que comi 6 paçocas de uma vez. Se tivesse mais, eu teria comido mais. Qual o problema nisso? O problema é: EU DETESTO AMENDOIM. Logo, se nota que algo errado tem aí.

Mas primeiro, um breve contexto sobre minha vida “fitness”. Eu fui uma criança e adolescente excessivamente ativa. Eu era muito boa em nadar. Tenho MUITAS medalhas e realmente treinava muito. Eram 6 horas diárias de treinamento com um treinador completamente louco. Inclusive aos sábados. Mas tudo bem, eu gostava muito de nadar e isso não me marcou psicologicamente. Ao contrário, me ajudou a aprender a lidar com pessoas, digamos, “difíceis”.  Nessa época, eu já estava na luta endocrinologista/nutricionista e dieta na vida. E tinha meus 9, 10 anos. Muitas vezes emagreci, mas em três meses recuperava os quilos perdidos.

Daí eu desenvolvi uma certa AVERSÃO aos nutricionistas. Minha mãe bem sabe, é só começar uma entrevista com nutricionista que eu já saio da sala. Acho uma cagação de regras sem tamanho e nada, digamos, próximo da minha realidade. “Tome chá de catanduva [isso não existe, acabei de inventar] de 3 horas em 3 horas, feito na hora”. Quem é que tem tempo pra isso? Fazer na hora? Essas pessoas não trabalham? Não tem dupla jornada? Pico de stress e ansiedade?  por aí vai.

Acho que é importante ressaltar neste texto, além da Maíra adolescente “ser do esporte”, eu raramente tive problemas sérios relacionados à minha aparência. Tanto é que continuo acreditando no movimento plus size, etc. etc. Eu me acho linda sim. Visualmente linda. Com algumas inseguranças aqui e lá, mas no geral, “Sou gata” é o meu pensamento na maior parte dos dias.

Então, você deve estar pensando? Qual o problema então? Meu problema é na cabeça. HAHAHAHAHAHA Sim, na cabeça. E por isso, tive que recomeçar tudo do zero ao perceber isso. Não adianta fazer uma cirurgia de redução de estômago, se junto dela não tivesse uma cirurgia de redução de cérebro, digamos assim.

Resolvi ir atrás de um médico da adolescência, um clínico geral, que também é endocrinologista, que tem a manhã e é uma pessoal bem legal. E contei pra ele isso tudo. E também, fui atrás de um psiquiatra, porque a saúde mental precisava sim de tratamento.

Eu já emagreci. MUITO. Há uns 4 anos atrás. Fiquei magrinha, musa do carnaval. Porém completamente LOUCA de remédios. [é. doidona mesmo. impossível de conviver.] Não digo que no meu tratamento atual não tem remédios envolvidos [nem adianta me perguntar o que são e quantidade porque não vou falar.], mas da primeira vez, o tratamento, se é que podemos chamar de tratamento, foi feito com um médico picareta daqui de BH. O único foco era a balança e consegui. Porém, a saúde não se resume à isso. A vida é equilíbrio. Nem um exame de sangue ele me pediu, nem nunca mediu minha pressão. Gastei MUITO dinheiro e durou digamos 1 ano a magreza. É engraçado, que quem olhava pra mim superficialmente me achava super bem, mas por dentro, principalmente na cabeça eu estava podre. Bastante sensível psicologicamente. Mas sou boa em disfarçar minhas angústias e todos achavam que estava tudo bem.

Eu decidi começar de novo recentemente. Deve ter coisa de 4,5 meses, muito disso rolou após muita leitura de histórias reais como essa, e de amigos próximos. (Beijo Rafa e MDG)

E é isso. Hoje eu já diminuí um tamanho do manequim (ainda não estou pronta pra falar de números em público), vou na academia ao menos três vezes na semana, e tô com a alimentação 90% do bem. Digamos que deixo o vacilo para os 10% do Nesquik à noite, que eu e médico chegamos num acordo. hahahahahah Ainda estou muito frágil quanto à comida, ainda tenho dificuldade em dizer não para muitas coisas, porém eu estou conseguindo, um dia de cada vez, como se diz no A.A.

Almoço na firma. Sim. Se quer mudar de vida, tem que levar marmita.

Almoço na firma. Sim. Se quer mudar de vida, tem que levar marmita.

É isso. De vez enquanto, vou publicar uns “textões” assim no blog (porque este espaço é meu.) para desabafar. Nem só de batom, agendas e roupas legais sou feita. Espero respeito nos comentários. Se é que este texto será lido por alguém.

ATUALIZAÇÃO:
Trabalho na comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG, e essa semana o programa de rádio falou sobre essa e outras compulsões. Se quiser ouvir, veja aqui:
http://sites.medicina.ufmg.br/radio/2016/01/22/compulsoes/
É curtinho e super didático. 😉

4 Comments

  1. Hoje lendo outros blogs achei uma postagem falando sobre seu blog novo e vim correndo. De tempos em tempos, buscava no google pelo burguesinha p ver se vc tinha voltado. Que bom que voltou! Fez muita falta! Bjs

    • Mentira Ana que você ainda lembrava do Burguesinha? hahahahahaha
      Tô de volta hein. To chegando hein rsrsrsrsrs
      bjs

  2. Super me identifiquei com seu desabafo. Já fui atleta também, nadava, jogava handball e tênis… uffa
    Depois que tive um sério problema no joelho, tive que largar tudo. Foi nessa que veio a depressão e engordei horrores (nunca fui uma criança magra, mas estava bem nessa época por causa do esporte).
    Quando resolvi correr atrás do prejuízo, só encontrei profissionais que não entendiam a minha rotina e me receitavam rotinas alimentares impossíveis de seguir… Aí veio a frustração e mais e mais quilos… Enfim, vou parar por aqui antes que vire um post ao invés de um simples comentário…
    Fico feliz que tenha finalmente encontrado um meio termo entre a saúde física e mental!
    Ainda estou em busca…
    Bjs

    • Marcelle, pode vir com comentariozão que eu gosto hahahahahaha

      Mas é isso mesmo. Tomei birra com nutricionista porque custei a entender que só tive experiencias até hoje com PÉSSIMOS profissionais.

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